Jarra Factory

Jarra Factory, Milan Pekar. Foto: © Qubus

Jarra Factory, Milan Pekar. Foto: © Qubus

Uma jarra é um objecto especial: entre os objectos que nos rodeiam, é um dos poucos que tem como exclusivo propósito decorar, atribuir beleza ao espaço onde se encontra. Como tal, jarras para uma, poucas ou muitas flores têm acompanhado as pessoas nos seus ambientes domésticos, dando-lhes literalmente vida — ao prolongar a existência, e a beleza, de um elemento decorativo natural. Mas antes de ser completada pelo seu conteúdo, uma jarra pode em si mesma ser o centro das atenções.

Devido à sua simples e única função, é um daqueles objectos cuja forma é facilmente reconhecida por qualquer pessoa, independentemente das suas características, dos seus materiais ou mesmo das suas próprias decorações: é por isso um objecto tão apetecível de ser criado, de ser desenhado. Da centenária arte de Ikebana – a tradição japonesa de arranjos florais, onde não é mais do um contentor para delicadas composições – até à jarra Savoy – o lago-vaso de Alvar Aalto, um verdadeiro “clássico moderno” do séc. XX – a história do design é também uma história de jarras.

A jarra Factory, criada em 2006 pelo jovem designer checo Milan Pekar para o estúdio de design Qubus, mostra como a função de um objecto pode ser apenas o seu começo, e como a sua forma pode dar origem a múltiplas leituras, significados e possibilidades. Esta fábrica de porcelana traz para dentro de casa as flores que a completam, mas carrega ao mesmo tempo consigo um passado industrial, e um futuro pleno de esperança. Para além da sua forma reconhecível e da sua função decorativa, revela que uma jarra pode também conter uma ideia. E ser ainda uma fonte de inspiração.

www.qubus.com

Texto publicado numa inserção Bombay Sapphire para o Suplemento Ípsilon do Jornal Público, do dia 18.01.2008. Inicialmente pensado para ser a primeira de 12 inserções temáticas da Bombay Sapphire (4 objectos, 4 designers, 4 eventos) neste jornal, iniciativa que foi mais tarde cancelada.



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