Celebrar as raízes

Na recente imersão do projeto A Gente Transforma, Marcelo Rosenbaum volta ao Amazonas para mais uma experiência de aprendizagem e troca cultural por meio do design

© Instituto A Gente Transforma. Foto: Diego Cagnato

Cinco famílias em uma imensidão verde. Assim é Nova Colômbia, a primeira e maior unidade de conservação em área de várzea do leste do Amazonas. Para chegar ali, só viajando seis horas de barco desde Tefé, AM, a cidade mais próxima. No mês passado, Marcelo Rosenbaum, líder do A Gente Transforma (AGT), e sua equipe desembarcaram nessa comunidade, pertencente à Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que vive sobretudo do manejo do pirarucu e esculpe pequenos animais – botos, peixes-boi e jacarés – e outros objetos em madeira de molongó.

A missão do grupo – composto por designers brasileiros e estrangeiros, entre eles o holandês Bertjan Pot e a inglesa Sarah Colson, – era inventar novos modelos de desenvolvimento sustentável por meio da aplicação de um método que alia design, artesanato, troca cultural e aprendizagem transdisciplinar. O convite partiu da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) e do Instituto Mamirauá (IM), organizações responsáveis por promover a conservação ambiental e a melhoria da qualidade de vida das comunidades ribeirinhas do Estado do Amazonas.

© Instituto A Gente Transforma. Foto: Diego Cagnato

Para começar a imersão, que durou ao todo nove dias, Marcelo perguntou aos artesãos: “Qual é o maior patrimônio de vocês?” Depois de pensar um pouco no assunto, alguns disseram: “O gerador elétrico”. Diante da resposta pragmática, o designer paulista convocou todos a formarem três grupos a fim de descobrir, na natureza, na cultura material e na história de Nova Colômbia, evidências de outros patrimônios.

Frutos, jogos, utensílios, imagens religiosas e outras descobertas foram sendo agrupadas, ressaltando a beleza e o valor das coisas, dos saberes e dos rituais daquelas famílias. “O primeiro passo para buscar entendimento sobre qualquer questão é compreender o universo que nos permeia. A partir daí, o fluxo de criação coletiva se inicia”, afirma o designer, que pretende, nos produtos oriundos dessa experiência, unir: fazer e viver, rezar e contemplar, brincar e aprender.

© Instituto A Gente Transforma. Foto: Diego Cagnato

A iniciativa contribuirá também para tornar o local a base de implementação de um estudo sobre as formas adequadas do manejo do molongó. “É necessário respeitar o ciclo de crescimento dessas árvores finas e de madeira leve, que só podem ser cortadas com a idade mínima de 33 anos”, conta Marcelo. “Floresta vale mais em pé do que derrubada. E o design revela o valor de quem habita e protege esse infinito de verde.”

Artigo sobre o projecto do Instituto A Gente Transforma na Comunidade Nova Colômbia, localizada na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Publicado na edição de Setembro de 2016 da revista Casa Vogue.

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